No dia 13 de fevereiro, começou, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento que pode decidir se a discriminação contra pessoas LGBT+ deve ser crime no Brasil.
Muita gente acha que uma lei assim não é necessária. Pra mostrar o tamanho do problema, pedimos que os membros da All Out compartilhassem episódios de discriminação contra pessoas LGBT+ que já viveram ou presenciaram.
Em 24 horas, recebemos mais de 600 relatos.
Essa página lista alguns deles.
Para compartilhar sua história, poste nas redes sociais usando a hashtag #ÉCrimeSim
Para pedir ao Supremo que combata a violência contra pessoas LGBT+, assine a petição.
ASSINE
AVISO:
As histórias abaixo contém relatos de abuso físico, psicológico e linguagem de abuso.
"Minha mãe disse que preferia me matar a me ver com outra mulher. Como ela acredita na 'cura gay', tive que dizer que tudo era uma fase e que eu tinha mudado, me 'tornado' hétero. Após muitos ataques de pânico e crises de ansiedade minhas, algumas ameaças de morte feitas por ela, muitos tapas e socos, afastamentos das minhas amigas e namorada, ela 'aceitou' me ter como filha novamente."
"Estava na Avenida Paulista, em plena luz do dia, de mãos dadas com a minha namorada. Passamos [por uns homens] e um deles falou, indo na nossa direção: 'Se eu tivesse uma filha que crescesse pra andar de mão dada com outra mulher na rua, eu espancava até matar'."
"Sou uma mulher trans. Estava na rua voltando para casa, quando um grupo de homens começou a me seguir. Tive medo e comecei a andar rápido, mas eles correram até mim, me agarraram e começaram a me xingar e bater, dizendo que eu 'não era mulher de verdade'. Fui parar no hospital, tive sorte de ter vivido. Fiz B.O. mas de nada adiantou."
"Tive uma professora que, depois que soube da minha sexualidade começou a me tratar mal, me afastando dos meus amigos. Eu me sentia sozinha, porque toda vez que íamos fazer algum tipo de trabalho ou até mesmo quando não tínhamos nada pra fazer, ela não me deixava sentar com ninguém. Então fui conversar com a diretora da escola. Porém, ela estava do lado da professora (acho que pra não dar problemas para a escola) e ficou por isso mesmo."
"A mãe de uma aluna da escola onde leciono há oito anos descobriu que sou lésbica. Ao longo do ano, ela fez insinuações de problemas no meu trabalho e me perseguiu, alegando à coordenação que as atividades que eu desenvolvia na escola apresentavam problemas de qualidade. Essa mesma mãe me difamou para outras mães dessa turma, inventou coisas que eu tenha dito na sala e manipulou contra mim muitos pais, simplesmente pelo fato de eu ser lésbica e dar aulas para os filhos deles."
"Aos 18 anos, cursando o 3° ano do ensino médio, me descobri lésbica. A escola, dispondo de psicólogos e coordenadores, não me deu orientação e não se posicionou sobre os comentários de colegas e professores. Preferiram abafar o meu caso (e o de outros, como soube depois). Isso me fez entender que não era apenas falta de maturidade institucional. Era preconceito institucional."
"Meu primo trans sofre preconceito até dentro da família. Sempre dizem que se 'estragou'."
"Eu fui mandando embora [de casa] sem mesmo ter pra onde ir. Tudo fica mais complicado sendo menor de idade. Hoje em dia, engulo seco para não ter problemas, mas cada frase é como uma facada."
"Tivemos que nos abraçar, mesmo morrendo de vontade de nos beijarmos, porque sabíamos que, se o fizéssemos, seríamos atacados."
"Tentaram me exorcizar."
"Já vi muitas transexuais sofrerem agressões, serem tratadas como 'lixo', 'doentes' e etc. Isso me dá medo e pavor do que possa acontecer comigo. Sendo uma menina trans de 17 anos, já sofri (e sofro) de depressão por conta da rejeição da minha família. Dói muito, te destrói por dentro!"
"Estava eu e minha namorada no ponto de ônibus, quando um cara atravessou a rua só pra ficar próximo a nós e nos xingar. Disse que éramos desgraçadas e que iríamos para o inferno."
"As pessoas me xingavam na escola, falavam que eu era obra do demônio."
"Estava com o meu namorado dentro de um elevador, indo embora da casa de uma amiga. Ao passar pela portaria, o porteiro disse que 'a câmera tinha pegado', que 'as pessoas iam ver o que a gente fez'. O que a gente fez foi se abraçar."
"A namorada da minha irmã foi proibida de sair de casa, trocada de colégio e teve o celular confiscado pelos pais, quando eles descobriram o namoro delas. Disseram à minha irmã que não ousasse se aproximar da filha deles, em tom de ameaça. Elas não conseguem mais se falar, desde então. São adolescentes e não têm como fazer nada pra mudar essa situação."
"Era um atendimento em psicoterapia de casal. O homem foi grosseiro, 'essa sapatão não sabe de nada de casamento e quer se meter na minha vida'. Ele fez poucas sessões e não apareceu mais. A esposa ficou envergonhada com a postura do marido."
"Ele disse: "Vi que você curte 'as duas coisas'. Tenho uma amiga pra te apresentar. Se você curtir ela, podemos tentar algo nós três." Foi a primeira vez que fui vítima de um preconceito escancarado que nós, bissexuais, sofremos sempre: a hipersexualização da nossa orientação sexual, como se existíssemos apenas pra satisfazer fetiches."
"Por ser transgênero, sofri bullying nas escolas em que estudei. Além de não ter apoio em casa, não tinha dos meus colegas e dos adultos mais próximos a mim. Foi uma época muito difícil."
"Eu me descobri bissexual recentemente e ouvi pessoas incomodadas com isso, falando que isso não existe, que é so uma fase, que estou confusa. Essas coisas fazem com que a gente se feche."
"Tenho um filho trans. Na escola, ele foi retirado de sala de aula porque estava conversando com uma menina, que era sua namorada, no pátio, na hora do recreio. Fui chamada na escola e a psicóloga tentou me contar, pasmem, achando que eu não sabia da condição de meu filho e insinuando que ele merecia ser castigado. Falei a ela que processaria a escola se meu filho sofresse novamente qualquer constrangimento por estar conversando com sua namorada no horário de intervalo."
"Minha ex-gerente disse que eu não poderia ter filhos. Perguntei o motivo e ela disse que, por ser lésbica, eu era seca."
"Fui ao cinema com meu amigo, que é gay, e durante a sessão ele agarrou minha mão e tentou engrossar a voz. De início não entendi. Depois percebi que havia um grupo de trogloditas tentando descobrir qual era a dele."
"Já falaram pra mim que 'se me pegassem iam me ensinar a ser mulher'."
"Pai de uma amiga minha a segurou pelo pescoço contra a parede após ela se assumir lésbica."
"Fui ameaçado por um rapaz só porque olhei para ele."
"Eu tive que escutar 'se o seu pai não te faz você virar homem eu faço'."
"Fui agredido aos 9 anos, no colégio, por ser gay."
"Eu sempre ouvia: 'Vista-se como homem!'"
"Um colega do trabalho disse: 'Se eu pudesse enchia um ônibus de gays e colocava fogo.'"
"Quando contei que era gay, meu padrasto falou: 'Preferia que você me matasse do que desse uma notícia dessas.'"
"Um homem no metrô gritou pra mim: 'Quando meu presidente liberar as armas, sapatão vai ser a primeira a morrer.'"
"Olhei para um garoto que achei bonito durante a aula e logo percebi uma turminha me olhando. Na saída, me insultaram e agrediram. Me deram chutes na barriga, costas, virilha e disseram que, da próxima vez, iriam me cortar. Denunciei aos professores no outro dia e nada aconteceu com os agressores."
"Estava na rua e, por estar com uma bolsa da minha irmã fui agredido verbalmente e fisicamente."
"Já aconteceu de eu entrar no banheiro e outras meninas saírem alegando que estavam com medo de mim."
"Um homem me seguiu uma vez quando eu estava voltando da praia com alguns amigos da época. Ele estava de bicicleta e nos viu. Soube que meus amigos eram gays porque estavam de mãos dadas e provavelmente presumiu que eu também fosse. Ele ameaçou nos estuprar."
"Estávamos apenas sentados e fomos agredidos por um homem que dizia para virarmos 'homens'."
"Sou lésbica e minha namorada apanhou publicamente da mãe dela por estar se encontrando comigo."
"O pai de um amigo meu o espancou quando descobriu que ele era gay e não fizeram nada."
"Minha amiga foi espancada algumas vezes quando se assumiu, foi isolada dos amigos, ficou sem acesso à internet e muito mais."
"A pessoa declarou que lésbicas eram coisa do demônio e disse que não deviam existir."
"Tenho medo de sair na rua e ser agredido por apenas estar exercendo meu amor."
"Eu estava na rua com minhas amigas e eles vieram e me bateram."
"Na época da escola apanhava dos outros garotos por ser diferente."
"Dois meninos viviam me mostrando os pênis deles. Eles me levavam pra um terreno dentro da escola, abaixavam minha calça e ficavam esfregando o pênis em mim. Uma vez, um deles tirou o pênis e começou a esfregar nas minhas costas, dentro da sala de aula, com a professora em sala. Eu cheguei a contar pra minha mãe e ela foi à escola pra conversar com eles, mas daí só piorou."
"Fui impedida de entrar em um estabelecimento por estar acompanhada da minha namorada."
"Alguns 'colegas' de curso e de trabalho vivem jogando ameaças em forma de piadas e são bem diretas. Um dia, um me jogou um copo de água na cara e disse odiar 'essa raça dos infernos'."
"Um amigo foi impedido de entrar em um bar por estar usando maquiagem."
"O pai dela diz que, se quisesse ficar com outra menina, ela teria que ter o cabelo curto e se vestir como menino. Por conta do medo, ela acaba se trancando e dizendo que é hétero."
"Somos um casal gay. Aposentados, ambos com 62 anos. Passamos por momentos de pânico e tortura psicológica no nosso apartamento, onde fomos espancados em uma tentativa de homicídio e mantidos em cárcere privado. No dia seguinte, fomos expulsos de nossa própria casa por um grupo de vizinhos. Na delegacia, sofremos novo ataque homofóbico e fomos obrigados a assinar o boletim de ocorrência nos responsabilizando por ter supostamente agredido um morador. Passamos de vitimas a acusados. Até hoje nos sentimos ameaçados pelos vizinhos agressores, fazemos tratamentos de saúde e lutamos na justiça contra eles."
"Era meu primeiro ano estudando de manhã. Lembro como se fosse hoje, eu indo ao banheiro na hora do recreio e me deparando com alguns alunos bem mais velhos que eu. Logo que eu entrei, as piadinhas já começaram: 'Olha o viadinho', 'Essa Coca é Fanta', 'Tá merecendo uma porrada'. Eu nem imaginava o que eles estavam falando, até por que eu não tinha noção da minha sexualidade, nunca tinha me relacionado com ninguém. Mas isso não me poupou de levar tapões na orelha e alguns chutes na canela. E o pior de tudo isso foi chegar em casa e não poder contar nada aos meus pais por medo de apanhar mais."
"Estava andando com um amigo que também é LGBT. Daí, passou por nós um grupo de amigos que começaram a nos xingar. Seguimos o nosso caminho andando mais rápido e eles começaram a nos seguir dizendo que iriam nos matar."
"Fui ameaçado de morte por um 'colega' de escola."
"Já fui vítima de preconceito por ser gay e cristão."
"Aos 13 anos, fui mandado embora de casa por ser gay."
"Já fui colocado para fora de um estabelecimento pelo fato de estar com meu namorado e ter dado um beijo no rosto dele. Disseram: 'Eu não tenho preconceito, mas não quero esse tipo de coisa aqui'."
"Era carnaval no Rio de Janeiro, na região da rua Farme de Amoedo, onde costumam se encontrar os homens gays. Um amigo estava beijando um rapaz que conheceu, assim como vários outros casais, gays e hétero, se beijam pelas ruas durante o carnaval. Um grupo de quatro ou cinco jovens bem fortes se aproximou do meu amigo e agrediu o rapaz que estava com ele, batendo o rosto dele contra a grade de ferro em frente ao prédio onde eles estavam. O rapaz era muito jovem, devia ter uns 18 anos, pequeno e magro. Uma agressão gratuita e covarde. Ficou com o rosto inchado, sangrando, e todos ficamos horrorizados com a agressão. Procuramos o apoio da polícia e chegamos a abordar mais de uma viatura policial, mas os policiais se recusaram a ajudar, alegando que não podiam parar a viatura para lidar com isso, que tinham outras coisas para fazer."
"Eu estava só abraçado com o meu namorado na porta de um shopping e o segurança pediu pra gente sair do local. Após uma semana, voltei ao mesmo local e lá estava um casal hétero num super beijo. E assim continuaram por um bom tempo."
"Tenho uma amiga que, saindo do curso que fazia, foi encontrar a namorada. Quando se encontraram, elas só se abraçaram e isso já foi motivo para que um homem se aproximasse e começasse a falar coisas super ofensivas para as duas."
"Eu estava abraçada na minha namorada, numa parada de ônibus. Um carro passou por nós, buzinou e gritou algo que não entendemos. Ele deu a volta e parou na nossa frente, dizendo que, a partir do ano que vem, isso iria mudar, que o presidente ia liberar a caça esportiva de viado e sapatão."
"Minha mãe ja falou abertamente que não vai aceitar um filho gay e que prefere até um filho viciado em drogas ou bandido do que um homossexual. Eles acreditam que o gay escolhe ser assim porque é 'vagabundo'."
"A mãe de uma amiga desejou que ela fosse estuprada, só por ser lésbica."
"Minha própria mãe me disse que eu sou amaldiçoado, que nunca vou ser feliz, que ela preferiria me ver morto em um leito de hospital."
"Meus pais descobriram que um dos meus amigos da escola era gay. Eles me batiam sempre, onde outras pessoas não podiam ver quando eu estivesse vestido. Meu pai chegava a dizer que se eu contasse a algum professor, ele esperaria esse meu amigo sair da escola e o mataria. Precisei me afastar de todos os meus amigos, com medo que algo acontecesse a algum deles. Nunca tive coragem de contar a eles que, assim como meu amigo, eu também sou gay."
"Meu pai disse que não queria ver meu irmão usando salto alto e coisas 'femininas' porque era errado."
"Estava na casa da minha companheira vendo filme no sofá. Só estávamos sentadas lado a lado. O pai dela chegou gritando que 'isso' era pra ser feito no quarto porque ele não era obrigado a ver nada."
"Meu pai disse que ia me matar enquanto eu estivesse dormindo. Todos os dias pela manhã, ele amolava a faca pra cortar frutas e eu começava a me arrepiar."
"Questionaram o porquê de estarmos demonstrando afeto uma pela outra, que era deselegante, desnecessário e exagerado. Que podíamos 'ser discretas' e inclusive ela conhecia 'alguém como a gente' que agia de 'forma educada' sem se 'expôr'."
"Eu estava com minha namorada em um pequeno parque, conversando normalmente, trocando carinhos no rosto e uns beijos de vez em quando. Quando passa uma mulher e sua filha. Ela deixa sua filha em casa e volta pra falar com a gente: 'Que pouca vergonha, crianças passam por aqui, vão para um motel.'"
"Eu minha namorada estávamos na piscina. Trocamos um beijo selinho e uma mulher chamou o segurança e parou ao nosso lado, apontando e gritando: "De repente você tá tomando sol e tem duas mulheres se beijando? Isso não pode acontecer num ambiente familiar! Isso é uma afronta à moral e aos bons costumes!". Apesar de haver casais heterossexuais, dentro e fora da piscina, trocando beijos bem acalorados, os comentários foram feitos apenas para nós. Fomos a uma delegacia registrar um BO e o delegado disse: 'Deixa isso pra lá, não vale a pena. Não vai dar em nada.'"
"Não sou LGBT+ mas já sofri LGBTfobia. Me chamavam de bichona, baitola, bicha, etc."
"Ao voltar para casa com minha mãe, um homem veio para cima da gente e fez um escândalo dizendo que éramos sapatões e que ia nos dar uma surra. Era noite de domingo, não tinha quase ninguém [no terminal de ônibus], e quem estava lá simplesmente não deu a mínima. Tinha uma viatura da polícia no terminal. Fomos até eles e falamos do ocorrido, mas disseram que não poderiam fazer nada, e foram embora. Sentimos bastante medo!"
"Quando eu tinha 14 anos, sofri muito bullying na escola. Meninos e meninas me assediavam sexualmente só para saber se eu era gay ou não. Mas a perseguição não parou na escola. Trabalhei como vendedor ambulante e fui xingado e até ameaçado de morte por alguns ambulantes, por eles me acharem afeminado. Por causa disso, tenho medo de me exibir em público até hoje. Sinto como se eu fosse um ET. Também sofri intimidação e ameaças homofóbicas quando trabalhei como plaqueiro. Essas ameaças vinham de colegas de trabalho. Detalhe: eu não sou homossexual."
"Eu e um amigo estávamos sentados numa praça quando um homem passou com a esposa, empurrando um carrinho de bebê, e começou a nos xingar de forma agressiva e humilhante, pois achou que éramos namorados."
"Um amigo foi violentamente agredido em São Paulo por acharem que ele era gay, o que ele não é. Pode acontecer com qualquer um."
Perdi uma oportunidade de emprego quando disse na entrevista que era casado com outro homem
"Fui chamado à sala do comandante. Ele me disse que um subchefe o havia procurado e dito: 'Quero que você mande o Fernando* embora, porque ele é gay e eu não trabalho com gays.' Ameacei ir à polícia e o tal subchefe foi mandado embora, mas passei a ser perseguido e sabotado por outro funcionário, que me culpava pela demissão do amigo dele. Em algum momento, não aguentei a situação e pedi demissão de um emprego que havia me esforçado muito para conquistar."
* Nome fictício
"Perdi meu emprego pelo simples fato de ter oficializado minha união com uma pessoa do mesmo sexo que eu."
"Fui demitido de meu trabalho por um recém chegado gerente que soube de minha orientação homossexual, sobre a qual sempre mantive discrição no trabalho. Ele fez questão de dizer na ocasião da dispensa: 'Não trabalho com pessoas como você'."
"Na empresa que eu trabalho, vieram me falar 'pro meu bem' que iriam me demitir se eu não parasse de ser tão afeminado: na época usava cabelo longo cacheado, unhas com esmalte e sempre tive 'trejeitos'. Detalhe: sou bi e todos conhecem minha esposa, mas minha 'feminilidade' mancha a imagem da empresa. Raspei o cabelo, parei de pintar as unhas e agora estou para ser promovido."
"Eu estava no cinema com meu namorado e estávamos assistindo ao filme aconchegados um no outro. Algumas pessoas resolveram jogar lixo em nós. Mudamos de lugar e fomos vaiados."
"Meu nome nunca foi respeitado pelo dono da empresa. Trabalhei em seis lojas como supervisora. Todos os funcionários me chamavam corretamente, só ele não. Isso me constrangia muito."
"Ouvi de dois caras no metrô: 'Tá vendo aquelas duas de mãos dadas? Vamos atrás pra elas aprenderem a se comportar'."
"Descobriram de alguma forma que eu sou bi. Muita gente veio me falar que eu sou uma aberração, fazer bullying comigo, e isso me machucou muito."
"O namorado de um colega da faculdade entrou num ônibus meio vazio e tinha uma turminha de três caras que, ao verem o broche dele com a bandeira LGBT na mochila, zoaram e espancaram ele."
"O homem dizia que pra virar mulher eu deveria ser estuprada, porque eu só era assim porque não tinha conhecido o órgão dele (logicamente ele usou outras palavras)."
"Andamos de mãos dadas e escutamos coisas do tipo 'Jesus esta voltando pra acabar com isso, pode esperar que vocês vão pro inferno'. Tivemos que separar as mãos pela nossa segurança."
"Meu amigo foi espancado por um cara na rua pelo simples fato de ele estar de mãos dadas com seu namorado."
"Fui ameaçado e perseguido na rua, por três homens em motocicletas, porque eu estava de mãos dadas com meu companheiro."
"Fui agredido num restaurante por estar de mãos dadas com meu namorado. Os agressores ofenderam verbalmente e partiram pra agressão física."
"Uma amiga minha estava andando com a namorada de mãos dadas na rua e um homem que ela não conhecia lhe deu um tapa no rosto, após dizer que ela era uma vergonha e que aquilo era nojento."
"Um grupo de homens já jogou pedras em uma amiga por estar de mãos dadas com sua namorada."
"No ônibus, sentando conversando, levei um tapa na cabeça e ao questionar o motivo escutei que 'viado tem que apanhar mesmo'."
"Apanhei na praia porque estava dançando com meu amigo e esbarrei num homofóbico."
"Fui convidado a ser retirado de um bar por estar beijando uma pessoa do meu sexo."
"Ouvi na rua: 'Espera liberar as armas. Não vai sobrar mais nenhum.'"
"Eu ainda não tinha saído do armário, quando meus 'melhores amigos', em uma noite que estávamos curtindo, de repente fizeram uma roda em volta mim. Começaram a me questionar se eu era gay, porque havia boatos. Disseram que se eu fosse gay, eu deveria apanhar por estar andando com eles e não ter falado nada. Naquele momento eu já tinha certeza que eu era, mas tinha medo de me assumir. Resolvi me calar, para não ser agredido naquele momento. Passaram-se dois dias e, voltando para minha residência à noite, eu recebi uma pancada na cabeça, fui derrubado no chão e levei vários chutes."
"Estava comprando algo pra comer e um homem que vejo quase todos os dias chegou do meu lado e falou: 'Por isso que Bolsonaro tem que ganhar, pra eu poder matar viadinhos como você.'"
"Eu estava numa formatura de amigo. Estava dançando feliz. Dei um beijo no meu namorado. Em seguida um senhor de uns 50 anos nos olhou e ficou repetindo alto: 'Vocês vão ver'. Eu não entendi primeiro pela altura da música, cheguei mais perto perguntando o que ele havia dito. Ele gritou: 'Vocês vão ver! Bolsonaro 2018!'"
"Ele disse: 'Quero ver ele se vestir assim se Bolsonaro ganhar!' E fez gestos de arma com a mão."
"Uma vez estava andando de mãos dadas com a minha namorada e um cara gritou: 'Quando o Bolsonaro ganhar, não vai ter essa putaria'."
"Cuspiram em um colega meu no momento em que ele estava indo votar, simplesmente pelo fato de ele ser afeminado. Quem cuspiu foi uma criança que estava junto do pai e de um outro homem, gritando palavras de ódio: 'o Bolsonaro vai matar todos vocês'."
"Ao passarmos por um bar que fica perto da praça onde estávamos, um senhor olhou pra nós e disse: 'Não vejo a hora do mito ser eleito pra que essa raça do cão seja toda exterminada.'"
"Dois caras começam a me olhar porque eu estava com uma calça bem colada. Disseram que aquilo não era calça de homem, que eu era uma 'bicha' e que o novo presidente iria matar 'criaturas' como eu."
"Na noite da eleição me disseram 'agora que o presidente ganhou, quero ver o que esses viadinhos vão fazer'."
"Quando me assumi para meus pais, fui humilhada e exposta para pessoas da igreja que eles frequentam. Fui obrigada a fazer exames hormonais, a ler partes da bíblia que citam a homossexualidade como 'pecado', a fazer tratamento psicológico com uma 'psicóloga evangélica'."
"Ela me xingou de coisas que ninguém deveria ouvir, disse que eu era uma aberração, que iria me matar na primeira oportunidade, que eu sofreria muito nessa vida e ela estava torcendo pra estar viva e ver isso acontecer."
"Eu fui parar na delegacia porque estava beijando um outro rapaz. Um casal nos acusou de atentado ao pudor."
"O cara me agarrou pelo pescoço, me ergueu e me jogou em cima do carro, que chegou a amassar!"
"Ele começou a me ameaçar e agredir fisicamente. Durante as agressões, foi como se o tempo parasse. Eu não conseguia ouvir nada, sentir nada, eu me coloquei no lugar de 'nada'."
"Sofri muito por homofobia na escola. Quando iniciei na faculdade, achei que tudo isso ia mudar, mas não mudou. Na minha sala tinha um rapaz que sempre fazia piadinhas sobre gays. Um dia eu respondi a ele em frente à sala. Ele ficou muito nervoso e saiu da sala, foi embora. Quando a aula acabou, eu saí da faculdade para ir até o ônibus. Ele e mais dois amigos me cercaram e começaram a me bater, até que o segurança da faculdade chegou. Eles foram embora, eu fui levado para o hospital com duas costelas quebradas e vários hematomas pelo corpo. Prestei queixa na delegacia, mas nada foi feito."
"A primeira vez que sofri por ser quem eu sou foi na escola. Vários garotos, uns até maiores que eu, me cercaram e me tacaram pedras, simplesmente por ser mais feminino. Aquilo não só me feriu fisicamente, mas também mentalmente."
"Na escola comecei a sofrer bullying dentro de sala de aula. Era chamado por nomes, eu tinha minhas coisas rasgadas e, frequentemente, os meninos, alguns bem mais velhos do que eu, me batiam."
"Fizeram uma conta fake e usaram meu nome, falando que eu era um viado e saía dando para um e para outro. Usaram palavras baixas, obscenas e homofóbicas. Fui em uma delegacia mais próxima para registrar o ato homofóbico. O mais triste foi ouvir da boca de um policial: 'No meu ponto de vista, isso não foi um crime. Vocês gays têm que dar mais respeito a vocês mesmos para não estarem ouvindo isso. Por que você não vai pra casa e considera isso como uma brincadeira?'."
"Um executivo da corporação disse em alto e bom som: 'Excelente funcionário, porém o que depõe contra ele é o fato de ser viado'."
"Fui excluído das fileiras da PM por ser gay e alegaram que eu faltei com o decoro militar por beijar um outro homem, dentro de uma boate, fora do meu horário de trabalho e na minha folga."
"Fui ameaçado de levar um tiro por estar andando de mãos dadas com meu namorado."
"Eu já fui perseguida no ensino médio por um dos meus colegas de escola, simplesmente por falar abertamente da minha sexualidade e não me esconder. Ele chegou a usar nomes ofensivos, passar na frente da minha casa falando besteiras e jogando coisas no portão. Tempos depois, ele e uns amigos chegaram a me agredir. Precisei de uma cirurgia na boca e na arcada dentária. Com o garoto, por ser filho de delegada, nada foi feito e ele não respondeu por nada!"
"Fui à ginecologista num posto de saúde. Quando revelei minha homossexualidade a médica não quis me examinar, nem fazer exame de papanicolau por achar que eu ainda era virgem, por não ter tido relações sexuais com homens."
"Ao tentar alugar um imóvel, li no contrato uma cláusula que proibia que fosse habitado por duas pessoas do mesmo sexo."
"Sou estudante de medicina. Durante uma aula um professor, diante de toda a turma presente, realizou a seguinte pergunta: 'Além dessa cara de baitola, o que mais de errado esse paciente tem?'."
"Vim atrás de ingressar na carreira de modelo aqui em São Paulo. Uma olheira de uma agência de modelos encontrou meu Instagram, gostou das minhas fotos e pediu pra que eu entrasse em contato com ela por direct. Então falamos e ela disse que meu perfil era ideal pra agência e que gostaria que eu fosse fazer um teste e fotos. Logo aceitei. Porém, disse a ela que era uma garota trans e, ao saber, ela disse que meu perfil não se encaixava."
"Estava andando pelo campus da universidade, usando minha pasta pra me proteger do sol e um grupo de homens passou por mim de carro e gritou: 'O sol tá machucando o viadinho? Se fosse a gente machucaria muito mais'."
"Certa vez, passei por uma triagem de recursos humanos para uma vaga de emprego. Fui entrevistado pela atendente, que me tratou muito bem e ao sair de lá fui informado que já havia passado para a próxima fase. Dias depois, a mesma atendente me liga e me informa que eu deveria ter cuidado com "o jeito" que falava e deveria "engrossar a voz ao falar com os advogados" pois a empresa era tradicional."
"Eu era julgada como doente e até mesmo as terapeutas queriam me 'curar'."
"Sofri preconceito no YouTube, um comentário transfóbico. Ele me ofendeu, me xingou, falou que meu lugar no inferno já está reservado."
"Toda vez que eu voltava da Europa com meus documentos não retificados, passava por vergonha nos aeroportos brasileiros."
"Uma amiga que trabalhava em uma loja foi demitida assim que o seu superior soube que ela morava com sua companheira. Ele deixou bem claro o real motivo de sua demissão."
"Um colega do trabalho todos os dias, durante anos, batia no armário e dizia: 'Sai daí... Sai do armário!' Cheguei a ir no RH da empresa e nem assim ele parou."
"Participei da Parada LGBT, celebrei, protestei e pra mim foi um dia de liberdade e respeito. Me despedi dos meus amigos para ir embora pra casa e fui em direção à estação do metrô. A maioria das pessoas também estava fazendo o mesmo, se dispersando e indo até o metrô tranquilamente e sem tumulto. Eu ouvi um barulho forte, senti algo entrando na minha pele e cai no chão. Várias pessoas vieram me socorrer. Chamaram a polícia, que estava na outra esquina. Eles vieram ver o que tinha ocorrido e eu disse que tinha levado um tiro na perna. Foi quando um dos policiais falou: 'Não podemos fazer nada. Quem mandou você passar na frente da nossa bala?' E foram embora!"
"Eu tinha menos de 20 anos. Tinha acabado de me assumir gay. Fui à parada LGBTQI+ para comemorar o meu orgulho, a minha existência e a minha coragem de enfrentar o mundo. Mal havia descido do ônibus quando abri os olhos e lá estava eu caído, sendo espancado por mais de seis garotos. Corri para uma loja de conveniência para me abrigar e ninguém abriu a porta. Eu estava sem camisa e com o rosto inchado, sangrando e arranhado. Caminhei até um ponto de ônibus para voltar para casa. Ao chegar, me perguntaram a razão de estar machucado. Achei que a pergunta era preocupação e respondi: 'Apanhei de uns garotos na parada gay'. Para minha surpresa, decepção e tristeza, todos meus familiares riram."
"Eu e minha companheira da época caminhávamos com o nosso cachorro. Voltando pra casa, um cara que estava na esquina da rua começou a mexer e fazer gestos obscenos, chegou a abaixar o shorts e disse que 'daria um jeito de nos fazer virar mulher'."
"Ano passado, após muito tempo de procura consegui um emprego. Porém, 15 dias após o início fui despedida por ser lésbica, porque segundo eles eu poderia 'influenciar as crianças'."
"Em sala de aula, fui obrigado a ouvir um professor discursando que gays tinham distúrbio mental e não pude fazer nada, por medo dele ficar de marcação, o que ele disse explicitamente que fazia."
"Estava curtindo uma festa com amigos, quando voltava pra casa veio um homem com uma arma apontada pro meu rosto me ameaçando de morte, só pelo simples fato que eu estava beijando meu namorado na época."
"Recebi uma carta me falando coisas horríveis, me chamando de gay, viado dos infernos, que eu tinha que ter vergonha de existir e que eu era uma péssima influência para as crianças. Me mandando sair do condomínio!"
"Em dezembro, em minhas redes sociais, um grupo de homens que nunca vi na vida me ameaçaram: Falaram que fôssemos viados, mas dentro de casa, pois fora eles espancariam. Que chegava uma nova era."